PERFIL - Ricardo Correa

Agraciado com a Medalha Defesa Civil Nacional insigna no grau de Grande Oficial pela sua atuação no resgate de vítimas de acidentes naturais conta sua história.


Brasília-DF, 05/11/2014 - Superação e esperança. São essas palavras que definem o agente da Defesa Civil de Petrópolis Ricardo Correa, que em  17 de março de 2013 foi acionado para ajudar no resgate às vitimas que estavam soterradas em um bairro da cidade e, depois de uma nova exurrada, foi dado como  morto.  Na época, contrariando todas as previsões, ele foi encontrado vivo, mas muito ferido. Passou 120 dias na UTI, com várias fraturas e quadro de insuficiência respiratória. Hoje, ele voltou a trabalhar como agente da Defesa Civil, correndo os mesmos riscos para salvar outras vidas.
 
Além de Petrópolis, Ricardo também esteve presente nas ocorrências de desastres naturais em Santa Catarina, Niterói e outros. Na noite desta terça-feira, durante a abertura da 2ª Conferência Nacional de Proteção e Defesa Civil, em Brasília, Ricardo foi agraciado com a Medalha Defesa Civil Nacional insigna no grau de Grande Oficial pela sua atuação no resgate de vítimas de acidentes naturais.
 
“Saiba que o desastre pode estar na casa de cada um, ele não acontece dentro de mesas, mas sim dentro da comunidade. Preze o seu vizinho, não converse apenas sobre futebol, sobre a novela. Converse sobre segurança, sobre Defesa Civil, se eduque, conheça! O poder público está a seu favor, não tenha medo dele”.
 
Pergunta - Gostaria que você falasse o que representa para o senhor estar recebendo esta medalha
 
Ricardo - Eu acho que a Medalha tem uma representação muito grande, principalmente quando se trata dos valores humanos que se interpretam nas ações da defesa civil. Eu tenho orgulho de estar recebendo a medalha, mas dois companheiros que estavam comigo vieram a falecer e a família hoje está recebendo. Acho que a Medalha, em si, é apenas um símbolo, mas a força e a vontade, a questão de você a cada dia melhorar mais o teu município, a tua cidade, o teu país, é uma questão involuntária! Acredito que o trabalho da Defesa Civil está em crescimento e tem que ser reconhecido, não importa que seja por uma Medalha, pelo reconhecimento da pessoa civil, por qualquer momento! A medalha foi uma grande gratificação depois de muitos anos de Defesa Civil e ter vivido o que eu vivi, no intuito de tentar cada vez mais ajudar um pouco mais a população.
 
Pergunta - Neste contexto, qual a importância de um evento desta grandeza, que reúne agentes da Defesa Civil de todo país para procurar estratégias para evitar desastres desta natureza?
 
Ricardo - Tenho orgulho de ter participado da primeira Conferência de Assistência Humanitária e hoje agora estar na 2ª Conferência que trata da parte de Proteção e Defesa Civil. Acredito que qualquer evento que eleve e passe mais o conhecimento, que dê uma doutrina, um linguajar e avance para dentro do nosso Brasil - aquele Brasil que tem uma deficiência, que tem uma vulnerabilidade - qualquer evento deste é de grande porte. Lembre-se que Defesa Civil não é o ato de você salvar um desastre, é não deixar que um desastre aconteça! É um gesto muito bonito e torço que cada vez mais os ministérios e as secretarias continuem se desenvolvendo mais nesta união para a Defesa Civil.
 
Pergunta - Qual a lição (tendo vivido o que o senhor viveu) você escolhe passar para este público que está aqui presente na Conferência?
 
Ricardo - A vida é muito curta pra viver de fingimentos. Saiba que o desastre pode estar na casa de cada um, ele não acontece dentro de mesas, mas sim dentro da comunidade. Preze o seu vizinho, não converse apenas sobre futebol, sobre a novela. Converse sobre segurança, sobre Defesa Civil, se eduque, conheça! O poder público está a seu favor, não tenha medo dele. Procure a Defesa Civil do seu município, procure o agente do seu bairro, faça a sua Defesa Civil cada vez mais forte: só juntos poderemos reduzir os desastres. Este é o exemplo que eu levo para todos.
 
 
Fonte: ASCOM/MI